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Como funciona a pílula antibarriga

14/07 - 13:25hrs

O nome “antibarriga” faz qualquer olhinho brilhar, certo? Mas, não se engane

Vitor Murad

O medicamento não é indicado para pessoas que querem eliminar a barriguinha e, sim, para tratar pacientes com peso excessivo – a ponto de desencadear problemas de saúde.

A comercialização da pílula foi liberada recentemente pela Anvisa no Brasil. O remédio é indicado para quem está com as medidas da cintura perigosas para a saúde (acima de 80 cm). Ela ajuda a eliminar, principalmente, a gordura que se instala na barriga, a visceral, responsável por uma lista grande de doenças, como problemas cardiovasculares e diabetes.

“Chamar o Rimonabanto de pílula antibarriga não é adequado, pois não é essa a sua finalidade”, diz a médica Renata Fialdini. “Ele age bloqueando a resposta de receptores do sistema endocabinóide, localizados no cérebro, e em outros tecidos, como o adiposo, músculos, fígado e trato gastrointestinal”, explica. Segundo a médica, esses receptores desempenham um papel importante na alimentação, balanço de energia, metabolismo, nos índices de glicose, colesterol e triglicérides. “Acredita-se que os pacientes com obesidade abdominal desenvolvem uma hiperativação destes receptores, e o seu bloqueio pode facilitar a perda de peso e melhorar os níveis de glicose e lípides no sangue”, diz a médica.

Gustavo Vilela, médico especialista em medicina nutricional, afirma que todos esses medicamentos são muito atraentes para os médicos e pacientes que tendem a ser imediatistas e comodistas. “Vários medicamentos já foram inventados para controlar o colesterol, o excesso de peso, o diabetes... Mas, não basta ingerir uma pílula ‘mágica’ e tudo se resolve. Isso seria um tratamento superficial, que não age na causa do problema”, defende ele.

O médico relata que é comum receber, em seu consultório, pacientes tomando remédio para baixar colesterol, diminuir os níveis de açúcar no sangue, emagrecer e para muitos outros problemas. Mas, a maioria não está preocupada em se alimentar melhor. “Eles não querem corrigir os hábitos alimentares. Ficam satisfeitos porque resultado dos exames laboratoriais melhora com o remédio. Ledo engano! É necessário reestruturar toda a dieta do indivíduo para sanar os problemas”, garante.

Riscos e benefícios
O Rimonabanto pode provocar alterações do humor, depressão e até levar o paciente ao suicídio, informa Gustavo Vilela. “As pessoas preferem se submeter a esses riscos a, simplesmente, melhorar a alimentação e praticar atividade física”, lamenta o médico.

“Após três dias de uso, fui tomada por um sentimento profundo de tristeza, como jamais havia sentido. Nunca tive problemas de depressão, por isso fiquei preocupada. Senti medo. Parei imediatamente o medicamento e, após 24 horas, já estava melhor", diz M.L., empresária que não quer revelar o nome.

Apesar dos riscos, o medicamento apresenta benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares, diz a médica Renata, explicando o motivo pelo qual a Anvisa liberou a droga. “Porém, o que mais preocupa os clínicos é o risco de desenvolvimento de depressão. Os pacientes em uso de Rimonabanto devem ser rigorosamente acompanhados, com visitas periódicas ao médico, pois os sintomas colaterais podem aparecer desde as primeiras semanas até meses após o início do uso”, avisa.

Os outros efeitos colaterais mais freqüentes são náuseas, diarréias e vômitos. Podem aparecer, ainda, agressividade, irritabilidade, insônia, tonturas, fadiga e disfunção erétil. “Esse remédio não deve ser usado por pacientes que apresentem qualquer grau de depressão, mesmo que controlada, pois pode haver tentativas de suicídio”, reforça Renata.

Para quem serve
O Rimonabanto não deve ser utilizado sem prescrição médica, em hipótese alguma. “É um medicamento novo, que deve ser usado com cautela e indicação, apenas para  pacientes que apresentam obesidade abdominal e fatores de risco para doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, LDL (colesterol ruim) ou triglicérides elevados, HDL (colesterol bom) baixo, glicemia ou insulina descompensados, diabetes) e que, acima de tudo, não estejam dentro do perfil de pessoas que não podem tomá-lo”, finaliza Renata Fialdini.

Para Gustavo, reeducação alimentar é um caminho mais trabalhoso do que tomar uma simples pílula. Porém, é a maneira que dá resultados mais sustentáveis e sem os efeitos colaterais dos medicamentos. “Por isso, é comum ver as pessoas voltarem a ganhar peso, assim que param o medicamento: não modificaram sua dieta ou passaram a praticar atividade física. E o mesmo vai acontecer com o Rimonabanto”, sentencia o médico.

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